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04/11/2017 CF 2017: conheça o Cerrado


O Cerrado é muito importante para o fluxo hídrico brasileiro. Devido ao seu subsolo poroso, ele absorve e reserva água, através da formação de grandes aquíferos subterrâneos. É, por isso mesmo, adjetivado como “caixa d’água do Brasil”, “cumeeira da América do Sul”. Contribui com grandes bacias hidrográficas como a Bacia Amazônica, a Bacia do São Francisco, Bacia dos rios Paraná e Paraguai, dentre outras. As águas que reserva, em sua maior porção, provém da Amazônia, por meio dos “rios aéreos”, isto é, as grandes nuvens que vêm carregadas do Norte brasileiro.

 

 

No que diz respeito à biodiversidade é a região de savana mais rica do mundo. O conjunto de seus seres vivos de sua região representa 5% da fauna mundial. Nos vegetais, a riqueza também é grande. São mais de 23 mil espécies de plantas. Sua maior riqueza, no entanto, são os povos tradicionais. Alguns deles já estão presentes há, pelo menos, 11 mil anos, sendo responsáveis diretos pela preservação deste bioma. As atividades econômicas dos povos tradicionais são caracterizadas pela produção em pequena escala, pouco capital e trabalho familiar. Viver o suficiente para não destruir o bioma. Não há interesse em gerar grandes acúmulos e por isso destruir e devastar a terra e a vegetação.

 

Assim, percebemos que a maior ameaça é o agronegócio, por suas grandes monoculturas. O agronegócio, juntamente com a pecuária intensiva e extensiva, atinge diretamente a vida normal e estável do bioma. O excessivo uso de agrotóxicos tem influenciado diretamente na pureza das águas dos reservatórios subterrâneos. A vegetação nativa não consegue se recuperar uma vez que é devastada para o cultivo de campos. Áreas de desertificação têm crescido significativamente pela devastação e não adaptação ao clima de poucas chuvas, característico do bioma. Os rios também são ameaçados pela intervenção no fluxo hídrico local.

 

Mesmo com estas ameaças, a Igreja tem fortalecido sua presença na região. As CEBs, bem como segmentos da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) intensificam suas atividades e suas lutas no local.

 

São promovidos estudos em pequenos grupos de moradores, além de mobilizações e movimentos de maça na promoção e defesa da vida em todo o bioma. E a defesa da vida precisa se intensificar cada vez mais.

 

Por Neilor Schuster

Seminarista da diocese de Montenegro (RS)